Minha superação pessoal em NAZARÉ  – Swell de carnaval 2017 -KOXA is Back-Parte4

Rodrigo KOXA no carnaval de NAZARÉ 2017. Foto: Helio Antonio


Esses últimos 2 anos foram de turbulentas emoções na minha vida, e digo, com certeza, que foi o período mais conturbado que vivi como surfista profissional de ondas grandes.
Realmente quase pirei quando tomei uma série inteira na cabeça e fiquei à metros de ser jogado contra as pedras do desfiladeiro de Nazaré durante o épico big swell de 2014.

Big SWELL de 2014. Rodrigo KOXA e Benjamim Sanches


Poucos sabem, mas tive pesadelos por 3 meses. Após aquele dia, acordava suado e assustado, me sentindo nitidamente desconectado, com minha autoconfiança abalada e com medo. Quando contava para meus amigos do ocorrido, meu corpo tremia…

Passei a pedir ajuda para minha mulher e minha mãe que são psicólogas. Eu sabia que não estava bem e que precisava de um suporte emocional, caso minha vontade fosse voltar a surfar ondas gigantes.

Big NAZARÉ. FOTO: Abel Santos


E minha vontade era voltar a surfar onda grande?

Naquele momento eu não sabia mais, mas resolvi dar tempo ao tempo, pois precisava reorganizar meus pensamentos. Minha única certeza era de que a paixão ainda estava lá, e foi por conta dela que tracei um caminho para tentar recuperar a minha essência.

O primeiro caminho que percorri foi, depois de um ano inteiro, voltar para Nazaré com meu parceiro Vitor Faria para a temporada 2015. Lá permanecemos por 2 meses surfando diversos dias grandes no intuito de treinar e ir me fortalecendo mentalmente. No entanto, naquela temporada as ondas não estavam gigantescas, e apesar disso, me senti aflito nos dias maiores, com uma espécie de fobia pelo resgate do meu parceiro e querendo subir o mais rápido possível no jet ski, após cada onda surfada. 

Sim, eu estava surfando, mas morrendo de medo de tomar as ondas na cabeça novamente.

Rodrigo KOXA surfando uma grande em 2015.


Em nossa última semana em Portugal, um swell grande, não gigantesco, com ondas ali na casa de 20 a 25 pês, chegou em Nazaré. Eu estava surfando quando o Vitor veio me resgatar e eu vi que a onda de trás era grande. Fui tão afoito para subir no sled do Jet, com medo que ele me deixasse ali, que acabei luxando meu ombro esquerdo. O ombro saiu do lugar pela primeira vez na vida, e a dor foi absurda.

Voltei para o Brasil em dezembro sem poder mais surfar. Fui à médicos, fiz os exames necessários, mas a intervenção indicada, tanto pelos médicos, como pelo meu fisioterapeuta foi a cirurgia, devido ao rompimento do labro, que é o ligamento que segura a estabilidade do ombro. 
Com esta notícia a depressão quase me pegou, primeiro porque eu não podia mais surfar nem na marola, e segundo porque eu estava me sentindo muito distante do mundo que eu sempre pertenci e almejei. 

A opção cirúrgica também me incomodava e foi aí que eu e minha mulher começamos a pesquisar sobre opções alternativas que poderíamos ter.
Nos lembramos de uma amiga que nos contou sobre a cirurgia espiritual de sua mãe numa viagem que fizemos juntos há alguns anos atrás. Esta lembrança nos tocou e entramos em contato com ela. 

Em fevereiro de 2016 eu fiz uma cirurgia espiritual em uma casa de energia surreal e mágica, entendendo que eu, em particular, havia me machucado devido a estar vivenciando um desalinhamento emocional. 

Não sou uma pessoa religiosa, mas acredito muito na espiritualidade e admiro o que há de mais belo e comum em todas as religiões: o amor. Esta cirurgia também me ajudou a entender a importância do amor, e foi com ele que fui me tratando dali por diante.

Passei a rezar mais; falar mais com Deus; passei também a agradecer e a pedir minhas vontades… Passei a levar mais a sério o que realmente era importante: o amor ao próximo, o amor com tudo!


Alinhei e agradeci essa aceitação com ininterruptas sessões de fisioterapia com o Marquinhos no Guarujá.

Após 2 meses da cirurgia, em abril de 2016, consegui voltar ao surf, e mesmo com meu ombro ainda comprometido, se exposto a impactos e movimentos bruscos, eu sentia que estava melhorando… Meu corpo progredia e, principalmente, minha mente estava se aquietando. Eu estava ficando mais leve e tudo parecia progredir…

Logo fui liberado da fisioterapia do Marquinhos e promovido para os treinos físicos com meu personal Carlos Brandão, que desenvolveu treinamentos irados específicos para minha recuperação gradativa dentro da Flex Academia.
Entendi que me tornei refém dos treinos para estar sempre forte principalmente nas regiões que já apresentavam suas avarias. Essa consciência corporal foi um dos maiores presentes que ganhei nessa fase.
Em julho de 2016 eu já estava surfando os swells de Maresias com minhas guns para treinar a remada. No frio do nosso inverno, haviam horas que meu ombro não doía, mas em outros momentos eu sentia um tremendo desconforto.

Até que chegou a temporada de Nazaré, e pela primeira vez me programei para essa viagem sem acompanhar um swell. Compramos a passagem para o dia 24 de outubro com um mês de antecedência, no intuito de chegar para treinar e sentir como eu iria reagir.

Eu continuava pedindo para que Deus nos guiasse da melhor forma, e aconteceu até algo engraçado… Eu que sempre viajava 1 dia antes do swell para surfar as bombas pelo mundo, desta vez, quando chegou 1 semana antes do meu voo, apareceu um big swell para Nazaré, exatamente 1 dias antes da minha chegada em Portugal. Aceitei.

Se foi uma mensagem não sei, mas eu estava chegando depois de todos pegarem altas. Não sei como, mas mesmo assim eu estava em paz. Seria esse um teste para o meu ego?

A verdade é que eu estava diferente, percebia que aquela leveza que havia trabalhado durante o último ano estava fazendo muito bem para mim. Antes de eu voltar a pensar em surfar qualquer onda grande, eu estava evoluindo, pessoalmente, fora da água.

Surfei durante minha temporada toda em 2016. No começo bem receoso, mas fui numa crescente e de repente meu ombro já não doía mais.

Soltando o surf no inside de Nazaré, nov 2016. Foto: Manuel Ricardo


 Meu consciente ainda estava preocupado com ele, mas dia a dia fui me esquecendo e colocando este problema no esquecimento…
Durante o tempo que passei em Nazaré, alguns swells grandes aconteceram, mas nenhum gigante. 

Em minha ultima semana, foi super gratificante ter sido homenageado pelo prefeito de Nazaré, com uma placa com meu nome dentro do museu do farol. Uma honra ter minha prancha e essa placa eternizada dentro desse farol de Nazare. 

YEAHH 

Obrigado NAZARÉ!!!!

Rodrigo KOXA homenageado pelo prefeito de Nazaré Walter com uma placa no museu de Nazaré.


Voltei para o Brasil no meio de dezembro muito contente e empolgado de ter restabelecido novamente uma confiança naqueles mares e pronto para aguardar um swell gigante.
O ano de 2017 começou e eu estava ainda mais psico nos treinos. Surfando muito instigado no GUARUJA.  

Rodrigo KOXA voltando na ritmo surf progressivo em 2017 na praia do São Pedro, GUARUJA. Foto: Aline Cacozzi


Cheguei até a emagrecer 5 quilos, que me fizeram lembrar de quando eu era bem mais novo. 

KOXA na academia FLEX- 2017


Esta era a colheita de todo meu comprometimento com meu personal.  
Sentindo essa boa fase de novos fluidos e gratidão ao aprendizado, chegou, junto com o carnaval, uma previsão gigantesca para Nazaré. Embora o vento fosse o fator duvidoso da previsão, em meio de uma atualização e outra, ele perdeu a intensidade e ficou apenas com 6 nós de maral, foi quando não hesitei e agilizei logo a passagem para enfim, chegar um 1 dias antes do swell.

Previsão em mapa do oceano Atlântico Norte com um núcleo de swell gigantesco para Carnaval Nazareno 2017


Ainda no Brasil, vendo a previsão gigantesca, mas com a qualidade questionável, eu não sei como, mas estava mais tranquilo do que anos atrás, quando era frequente o meu ritmo frenético com as bombas. E esta tranquilidade me fazia sentir pronto. Físico e mentalmente preparado. Acreditei que teríamos um bom momento durante o dia do swell e que, depois do trabalho árduo que fiz durante estes últimos tempos, eu estava pronto para vivenciar a mágica Nazaré gigante outra vez.

Yeahhh!!! Meu voo era para embarcar no domingo, e o swell seria terça e quarta feira de carnaval.
De repente, no sábado, a previsão piorou. O vento, que na sexta feira estava entre 6 a 8 nós, passou para 15 a 16 nós maral, e nestas condições, o surf poderia ser muito prejudicado.

Por outro lado, minha passagem estava comprada e minha expectativa para reviver Nazaré estavam lá em cima. 

Passagem comprada e partindo para Portugal dia 26/02/2017


Não tive dúvidas, pedi para Deus me guiar e me conectar com o que fosse melhor para mim. Com este sentimento, embarquei para Portugal no domingo rumo ao swell histórico de carnaval.
No dia do swell, a terça feira amanheceu muito feia. O vento maral estava fortíssimo e picos de chuva forte nos faziam questionar sobre se rolaria ou não o surf naquele dia. Só uma mudança drástica poderia salvar o nosso cenário.
Às 9:40 hrs o tempo fechou, e como um tufão junto a uma chuva forte aquele ambiente me desanimou ainda mais. Entretanto, depois que a chuva acalmou, o vento foi diminuindo, e esta nova perspectiva animou a mim e a minha equipe, para partirmos rumo ao mar rapidamente.
Contudo, este rapidamente levou um tempo, e foi neste intervalo que uma chuva forte caiu novamente. Eu já estava no jet ski a caminho do outside e a visibilidade estava muito prejudicada. Nesse momento toda galera que estava no mar, passou por nós, indo embora, e o Garrett disse que o mar havia piorado e que o italiano Francisco Porcella havia surfado uma onda mutante bem naquele momento rápido que o vento acalmou.

Italiano Francisco Porcella na maior onda do dia. FOTO: Pedro Miranda



Depois que a chuva forte passou, eu que já estava no outside, esperei por aquele bom momento em que o vento diminuísse, como ocorreu anteriormente, mas este momento nunca chegou. Esperei das 12 às 15:30 horas e nada.
O tempo que eu me parceiro Sergio Cosme tentamos surfar na corda foi tão horrível que preferimos abortar o surf e escolhemos admirar a natureza bem de pertinho, vivenciando aquele espetáculo.
Mesmo me sentindo privilegiado por poder viver aquele momento, eu não poderia deixar de me questionar o porquê daquela situação. Opa, eu sabia que não podia reclamar de forma alguma… Então olhei para o céu, agradeci a Deus e disse a ele que sim, eu aceitava a sua vontade, e mais, que sua vontade seria também a minha, pois eu estava ali para confiar e ser feliz.
Também, pelo tamanho do swell e estudando bem a previsão, eu tinha certeza que teria uma nova oportunidade na manhã do dia seguinte com o vento terral que acaba deixando a onda mais em pé.
Então, Yeahh!!! Vamos com esta nova estratégia.  
Acordamos super cedo na manhã do dia 01 de março e fomos rapidamente para o mar. O plano era ficar esperando as maiores ondas que viessem no primeiro pico, onde a esquerda é bem maior por vir direto do canhão, encostada ao desfiladeiro.

Rodrigo KOXA numa bomba no swell do carnaval puxado por Sergio Cosme. FOTO: Pedro Miranda


Foi seguindo este protocolo que fui presenteado pelo meu Deus. Eu queria, pedi, eu vivi novamente momentos que só eu sei o quanto eram importantes para mim. 

Rodrigo KOXA na direita SEQ 01. FOTO: Pedro Miranda


Agora eu espero estar me instigando novamente, pois essas foram as melhores ondas que surfei nos últimos 2 anos. 

Rodrigo KOXA em NAZARÉ. SEQ 02. FOTO: Pedro Miranda

Rodrigo KOXA em Nazaré swell de carnaval. Seq 03 FOTO: PedroMiranda

 


Minha prancha estava incrível assim como a irmandade de toda a nossa equipe.

Esse canhão da Nazaré me ensinou muito na vida. Lá passei muitos momentos irados, muitos momentos difíceis, momentos de alegria em total conexão com minha alma e momentos de medo e dúvidas que me obrigaram a me transformar. Mas, o amor que sinto em estar sempre nesse contato com o oceano torna tudo mais prazeroso.
Hoje eu estou em paz com o meu coração e continuo com o sentimento de total respeito por ti, Nazaré. Percebo como realmente amo surfar essas ondas e, analisando a ambivalência de sentimos que vivi nesses dias, no caso, como fiquei chateado de não ter encontrado um momento favorável de surf num dia, e como eu estava eufórico, feliz e super conectado com minha alma no outro, entendo que tudo tem um propósito e um sentido.  

Rodrigo KOXA swell de carvão 2017. Foto: Jorge Leal “POLVO”


Acredito ter reacendido uma chama que estava meio apagada dentro de mim, em meio à duvidas e desconfianças. O que me ficou mais claro depois deste carnaval em Nazaré foi que não posso fugir do que eu mais gosto de fazer na vida. 

O autoconhecimento nos permite perceber que quando não fazemos o que nossa Alma pede, nos magoamos interiormente…
De fato, Nazaré não para, e muitos outros swells GIGANTES virão para que possamos nos superar novamente, e assim espero que aconteça…


Obrigado a DEUS, ao meu parceiro Sergio Cosme, e a minha mulher psicóloga Aline Cacozzi, que me conhecendo melhor do que ninguém me ajuda de forma ímpar. 

Parabéns para todos os surfistas presentes e em especial para a galera do BRASIL que puxou totalmente o limite e representaram muito, Salve Alemão de Maresias, Pedro Scooby, Lucas Chumbinho, Pato, Maya e Marcelo Luna. YEAHHHH!!!!

FELIZ e sempre aprendendo é o meu lema…  #GoBIGGER

Obrigado especial ao DUDU “Tent Beach” que está proporcionando essa últimas viagens. 

Dudu, Rafael Tapia, Luna, Alemao de Maresias e Rodrigo KOXA. Na padaria de Nazaré Cores e Sabores.


NOIXX #KoxaBOMB💣 #TravelAce #Bullys #Akiwas #SilverSurf #SPO #DelirioNatural #FlexAcademiaGuaruja 🙏🏼

YEAHHH Tks God!!!
DEUS NO COMANDO

Rodrigo KOXA, NAZARÉ 2017. Foto: Rafael Riancho

Rodrigo KOXA, NAZARÉ 2017. Foto: Rafael Riancho

Rodrigo KOXA out side do Canhão de Nazaré. Carnaval 2017. FOTO: Sergio Cosme

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Rodrigo koxa conta sua história com as ondas Gigantes de NAZARÉ – PARTE 1

Por Rodrigo koxa:

PARTE 1 -NAZARÉ 2013

Já faz algum tempo que eu estava pensando em reativar o meu blog, e agora resolvi atualizá-lo contando sobre as minhas três temporadas nas ondas gigantes de Nazaré, que juntas se tornaram um TSUNAMI na minha vida…

Para isso, dividirei esta história em 3 partes, e cada uma delas fará referência as vivências de cada temporada.

Desde a minha primeira investida em Portugal, que foi no swell histórico de 2013, passei a rever e reconsiderar muitas coisas no BIG SURF…

Estar presente naquele dia monstruoso foi realmente muito intenso. Digo isso devido a maneira em que eu me encontrava naquele local, com uma estrutura que não era compatível as necessidades do pico. 

Começou por eu estar com um jet ski antigo, de motor 2 tempos, que afogava o tempo todo e deixava a impressão que a qualquer momento o motor poderia morrer. Este jet ski me foi emprestado pela dupla portuguesa Antonio Silva e Ramon, na melhor das intenções, e por isso eu decidi aceitar a oportunidade e viajar sozinho, sem meu parceiro Vitor, que ficou doente e não pode embarcar.

Rodrigo Koxa com o jet 2 tempos no big Nazare e Andrew Cotton ja se preparando

Creio que as coisas não acontecem por acaso. Antes desta experiência eu realmente acreditava que se eu e o Vitor viajássemos juntos para Nazaré, ou em qualquer outro lugar do mundo, mesmo sem nunca ter treinado lá anteriormente, e um jet ski nos fosse designado, a gente surfaria a onda que aparecesse e pronto.

Eu simplesmente não entendia toda à complexidade que envolvia surfar ondas gigantes naquele local em específico, denominado Nazaré.

Mapa da previsão do núcleo do swell de outubro de 2013

 O que aconteceu, na real, é que vi o swell na internet e acabei embarcando para Portugal na mais pura emoção, sem nenhum parceiro e sem nenhuma equipe.

Logo que cheguei comecei a observar que o Garrett Mcnamara tinha uma equipe completa, que contava com um segundo jet de apoio, para auxiliá-los no resgate e ainda pessoas no cliff que os orientavam através de rádios. 

Visto isso, considerei que, como eu estava sozinho, eu poderia tentar agregar de alguma forma na segurança de uma outra dupla e assim, formar um time para aquela ocasião. Neste momento, pedi para a dupla dos meus amigos brasileiros, Eric Rebiere e Sylvio Mancusi, se poderíamos compor uma equipe, na qual eu poderia ser esse jet de apoio para eles, e no final da sessão da dupla, eu pegaria alguma onda também… Feito!!!! 

Para minha sorte, alívio e felicidade, eles aceitaram!

Logo no início da session, enquanto o Sylvio puxava o Eric, lembro-me que eu estava acompanhando-os pelo rabo esquerdo da onda, que era gigantesca, quando o Eric me surpreendeu dropando para a direita, cruzando a onda toda. Neste instante eu senti toda a intensidade do meu coração batendo a mil, com um único pensamento na minha cabeça, que se repetia como um mantra nas palavras “MEU DEUS”!!!!

Lembro que a onda anterior foi a onda que aconteceu o acidente da Maya. Eu não pude ver, porque estava extremamente concentrando na minha equipe e na preparação do Eric na onda de trás. Me lembro apenas, de relance, que a Maya estava pegando a bomba anterior a do Eric, mas não observei nem a sua queda e nem o que aconteceu depois.

Em condições como estas eu sabia que precisa evitar ao máximo descer para o inside, pois lá fica um reboliço só.  Então, quando o Sylvio resgatou o Eric eu relaxei, e só então reparei que a equipe da Maya tinha desaparecido. Não demorou muito para notícia sobre o afogamento grave da Maya Gabeira chegar via rádio e se espalhar no out side.

Imediatamente a galera parou o surf!!!! 

Todos nós no out side passamos a rezar e orar pela vida da Maya, até recebermos a segunda notícia, que foi extremamente comemorada, ela estava melhorando e não corria mais risco de vida.

Nesse instante o vento aumentou, complicando a situação anterior, que era de mar liso. Mesmo assim, eu queria muito tentar pegar uma daquelas montanhas e pedi ao Eric o favor de me puxar antes deles encerrarem o dia…

“Simbora Koxa” foi a resposta do Eric, para minha imensa felicidade. Uhuaaa, chegara minha vez de ir para corda. Pedi proteção para Deus e pulei na água. Tentava a todo custo não pensar nas verdadeiras montanhas de água  que se formavam em frente a aquele desfiladeiro de pedras e que roubavam muito da minha atenção por horas e horas enquanto eu pilotava o jet de apoio. 

Eu sabia que estava para surfar as maiores ondas da minha vida.

Aquelas pedras meu Deus.. São muitos os fatores complicadores em Nazaré que fazem daquele local único no mundo. No entanto, na minha opinião,  vejo como agravador máximo que dificulta o surf naquelas ondas, o fato das maiores do dia quebrarem no local que denominamos como “primeiro pico”, que é uma faixa onde só quebram as ondas acima de 60 pés, e para se pegar essas montanhinhas, temos que soltar a corda exatamente em frente a esse desconcertante desfiladeiro de pedras do canhão de Nazaré. 

Só amando muito mesmo, rs

Logo que eu comecei a esquiar na corda, em meio a bumps enormes por todos os lados, comecei também a questionar aquela situação desconfortável da prancha que batia muito, mesmo sem ainda ter pegado a onda. 

Parecia um verdadeiro touro mecânico! Isso me intrigou a imaginar como a minha prancha reagiria na hora de soltar a corda e descer a onda, que é quando a velocidade triplica pela energia da onda.

A maior dificuldade neste tipo de surf é administrar a velocidade em meio a tantos bumps, que são degraus que se formam em pequenas ondinhas dentro da onda surfada.

Estava muito difícil, mas devido a minha confiança no Eric e ao meu amor pelas ondas gigantes, entramos na frente de uma muralha de água e mesmo naquela pingaria descontrolada eu soltei a corda.

O mais interessante foi perceber que conforme avançávamos e a massa da água ia entrando na bancada, a onda alisava e nos mostrava a sua verdadeira face.

De qualquer forma, o fato de eu estar pingando numa velocidade descomunal jamais sentida anteriormente, desencadeou uma descarga de adrenalina tão grande em meu sistema nervoso, que fisicamente, minha única sensação era de que meu estômago estava sendo retorcido. Contudo, depois desta primeira experiência, eu estava completamente alucinado.

No surf de ondas como estas, a melhor estratégia é não cair. Sair por cima antes delas fecharem no inside é sempre a melhor opção. Segui este protocolo à risca e o Eric me resgatava cirurgicamente sem erro. 

Graças ao Eric com sua pilotagem impecável, eu pude sair do mar completamente agradecido e extasiado por ter vivido este dia e ter surfado 3 ondas…

Quando acabou o dia, num momento de lucidez, olhando para o céu, eu agradeci a Deus por tudo ter acabado bem. Percebi que deveria haver um bom propósito por eu não estar com nenhum parceiro naquele dia, principalmente devido aquele jet ski não ser o indicado como o equipamento adequado em dias como estes, e caso o Vitor estivesse lá, não sei como isso teria acontecido…

De qualquer forma, eu agradeço muito a esse jet ski que foi útil como um jet de apoio, me proporcionou participar da equipe e presenciar este dia histórico. 

Foi ele que me despertou o interesse em montar uma estrutura em PORTUGAL 

Hoje entendo perfeitamente que a visão do Garrett Mcnamara era de muito respeito à Nazaré e que todos os seus planos de segurança são de imensa valia para que a galera do big surf possa desempenhar seu trabalhos na maior segurança possível.

Garrett Mcnamara e Rodrigo Koxa – Nazaré 2013

Tiro o chapéu para esse cara visionário que descobriu o potencial de NAZARÉ para surfar as maiores ondas do mundo. 

Só pude entender mesmo do que se tratava quando conferi de perto… 

Todo meu RESPEITO!!!!

Outro acontecimento especial nesta viagem foi conhecer o Português Serginho. 

Ele foi designado pela dupla Ramon e Antônio a me buscar no aeroporto e logo no momento em que nos cumprimentamos, já nos tornamos verdadeiros e grandes amigos.

Sergio Cosme e Rodrigo Koxa em Nazaré

Este Português me contagiava com sua vontade de ajudar e fazer parte da equipe.

 Ele está sempre pronto e solicito para o que for preciso. Com seus ouvidos atentos, absorvendo tudo, dizia: “vou aprender para ir com vcs”!!!

E aprendeu mesmo!!! Hoje é ele quem gerencia a nossa equipe!!

NOIXXX SERGINHO SANGUE BOM!!!

Obrigado PORTUGAL! Obrigado Nazaré!

PARTE 2 – NAZARÉ 2014 – TSUNAMI na cabeça …

PARTE 2 –  NAZARÉ  2014… 1 ano depois!!!

Passado 1 ano o swell histórico de 2013, outra bomba se formou ao norte do Oceano Atlântico, com destino à Nazaré no dia 29 de novembro de 2014…

No Brasil, monitorando a previsão do swell pela internet, entrei em contato com meu amigo Havaiano kealii Mamala, que já estava pegando altas ondas lá em Nazaré e perguntei  a ele se haveria a possibilidade de eu ir surfar com sua equipe neste swell que se aproximava. 

Ele disse que o Garrett não estaria nesse swell, devido a uma viagem para China, e me confirmou que sim, que eu poderia me juntar a eles.

YEAHH PARTIU PORTUGAL minha segunda TEMPORADA!!!!

Na manhã do dia 28 de novembro, mais uma vez, o Serginho foi me pegar no aeroporto de Lisboa. 

Dei sorte de ter conseguido dormir um pouco no vôo da madrugada, pois partimos direto para Nazaré. Com o swell chegando, existia a possibilidade de surfar na remada ondas de 20 pés ainda naquele final de tarde.

Meu corpo estava tão cansado que enquanto estávamos na estrada cheguei a torcer para o mar ainda estar pequeno e eu poder descansar e me concentrar para o dia seguinte que prometia ser de BOMBAS!!!!

Mas enfim, chegando em Nazaré, ligamos para o Kealii, e ele nos atendeu completamente eufórico, dizendo: “Yeahhh Its BIG already… 20plus… PADDLE DAY… Go to the Harbor now.. WE GOING”

Com a pilha do Kealii, eu me esqueci completamente do meu cansaço e do jet leg do vôo, e não parava de imaginar como seria remar pela primeira vez naquele lugar…

Como minha prancha 10’6 estava que estava no teto do carro iria se comportar..

Eu e o Serginho fomos para o outside com o Kealii, Andrew Cotton, Hugo Vau e os irmãos Will e Cliff Sckudin.

Fiquei amarradão em ver o Serginho participando da equipe, pilotando um dos Jets enquanto todos os demais revezamos os outros Jets e as gunzeiras para remar.

Entretanto, estava muito difícil um posicionamento eficiente para surfar aquelas séries na remada, devido as bombas que vinham cada hora em um lugar diferente. Eu mesmo já havia quase tomado 2 séries enormes na cabeça e precisei mergulhar e ser resgatado em uma delas… Depois disso cheguei a me questionar se aquela session seria produtiva.

Neste momento entrou uma série bem perto de mim. 

Sabendo que viriam outras atrás, deixei a primeira onda da série passar . Quando olhei a onda seguinte, me senti no lugar certo e remei com toda força para dropar a minha primeira onda surfada na remada em Nazaré.

Rodrigo Koxa na remada em Nazare 28/11/2014 Foto: JorgeLeal

Me senti completamente realizado com aquele drop e depois de ter pegado a minha onda troquei de lugar com o Andrew Cotton no jet ski, e passei a fazer a segurança da equipe até escurecer.

Como já conhecia melhor o local, estava super empolgado com a direção boa e segura do swell. Em ondulações de oeste, a energia das ondas formam correntezas para direita, que nos joga em direção ao meio da Praia do Norte, nos afastando das pedras e do perigo de surfar em Nazaré…

Quando amanheceu o esperado dia 29 de novembro de 2014, o visual estava incrível! O mar estava gigante, muito liso e o sol saindo sobre a neblina. O Kealii me colocou na função de fazer o segundo resgate e minha missão era estar sempre acompanhando ele em tudo.  Com isso pude refinar minha pilotagem com um jetski de ponta.

Após puxar todos os seus amigos, enquanto as bombas comiam soltas, Kealii me chamou: “Koxa, You READY????”

Minha resposta foi: “YEAHH I’m so F… READY!!!”

O mar estava clássico, bem mais liso do que eu imaginava, e o Kealii pilota muito! Ele é aquele cara que deixa todos ao seu lado numa energia elevadíssima. O maluco é muita vibe!!! Minha primeira onda foi surfada numa harmonia sem igual… Eu estava me integrando com Nazaré.

De repente, eu já havia surfado 5 ondas e estava amarrarão sentido a prancha cada vez mais no meu pé, até que…

Rodrigo Koxa em Nazare 29/11/2014 Foto Jose Pinto

Na sexta onda, eu decide puxar mais o meu limite e fiz questão de ficar atrasado e surfar no buraco da onda. Só que ela balançou e não teve jeito, depois de conseguir segurar a primeira pancada da espuma, a segunda me derrubou!!!!

BUMM!!! Foram mais 3 minutos tomando mais de 10 ondas na cabeça até ser arrastado para praia.

Assista o VIDEO pelo LINK:       https://youtu.be/oey47xra5-s

clipagem na FOX contando do perrengue de 2014


Mesmo sendo atropelado pelo swell de OESTE, eu estava tão confiante que aproveitei intensamente aquele momento e ALUCINADO eu AGRADECIA meu parceiro super treinado Kealii Mamala o tempo todo…

MUITA GRATIDÃO e RESPEITO por tudo que vivenciei!!!

David Langer, Rodrigo koxa, Kealii Mamala e Sergio Cosme na noite do swell 29/11/2014.

Embora pelo vídeo, o caldo pareça pesado, na real, eu estava bem tranquilo e amarradão por tudo aquilo… Era o que eu realmente queria e buscava!!!!

“EU SÓ NÃO IMAGINAVA QUE O PESADELO AINDA ESTAVA POR VIR”

Tivemos 1 dia para comemorar a missão cumprida, quando apareceu na internet a previsão de um NOVO SWELL, agora com um núcleo tão GRANDE que parecia até ser de mentira…

Mapa com a previsão do núcleo do swell no dia 10 de dezembro de 2014. Um dia antes do swell encostar em Nazaré, dia 11 de dezembro.

A BOMBA ESTAVA VINDO e tinha dia para chegar, seria em 11 de dezembro de 2014.

Eu estava em Portugal com minha passagem de volta marcada para o dia 05 de dezembro, mas passei a estudar todas as possibilidades… Como não se tratava de qualquer swell e a previsão estava gigantesca, minha cabeça virou um turbilhão…

Minha situação não estava muito favorável porque quando falei com o Kealii, perguntando a ele sobre os planos para esse próximo swell, ele me contou que voltaria para o Hawaii de qualquer jeito, e desta forma, eu não poderia mais contar com a equipe e estrutura que tive anteriormente.

Minha única estratégia era adquirir um jet ski, então comecei a pesquisar preços de vários modelos pensando em, de alguma forma, estar presente  no que estava por vir…

Nisso, o chileno Rafael Tapia, um dos meus parceiro de ondas grandes, me ligou dizendo que estava maluco para surfar aquele swell. Como ele estava com um dinheiro meu e do Vitor Faria guardado para comprar um jet novo no Chile, nossa idéia foi ele vir para Portugal, ser meu parceiro e trazer esta quantia que estava parada no Chile para adquirirmos um jet em Nazaré.

Rafael topou e chegou em Portugal com o dinheiro apenas dia 10 de dezembro, ou seja, 1 dia antes do swell, e foi nesta data que conseguimos comprar e levar o jet para casa.

O Jet Ski Yamaha é o nosso preferido, mas com a quantia que tínhamos, acrescida da parte do Serginho, que se tornou nosso sócio, partimos para um SeaDoo motor 215 animal.

YEAHHHH!!!! AGORA EU, o VITOR e o SERGINHO éramos dono de um SEADOO irado!!!!

Nosso jet ski chegando na noite anterior ao swell.  

O Plano para o dia gigantesco era eu e o Rafael Tapia formarmos uma equipe com a dupla de Portugueses Antonio Silva e Ramon. Assim, tanto eu seria o jet de apoio dos portugueses, como o Ramon seria o nosso segundo jet durante a session.

Embora estivesse tudo esquematizado e eu me sentisse super feliz, eu também me preocupava com o fato do Rafael nunca ter surfado e pilotado antes em Nazaré.  Vários flash backs das dificuldades que eu presenciei em 2013 tomaram conta dos meus pensamentos, e então, tudo o que eu me lembrava, eu passava para meu novo parceiro na madrugada que antecedeu o grande dia.

Como gosto de entender como funciona o swell, suas direções e as demais complexidades, eu sabia que o dia 11 de dezembro de 2014 seria MAIS ASSUSTADOR, MAIS TRAUMATIZANTE, MAIS MÁGICO, TURBULENTO e DIVINO POSSÍVEL…

Ao contrário do swell anterior, que era de oeste, neste, a direção era de NORTE. Isso significava que tanto a correnteza, como a energias das ondas, se colidiriam com às pedras.

Ao amanhecer, já estávamos de sentinela ao lado do farol, esperando para surfar no pico do swell, previsto para as duas da tarde. De cima do desfiladeiro, as condições já eram assustadoras. Lembro do Garrett orientado a todos sobre os riscos de surfar as ondas para a esquerda, pois naquele dia, qualquer eventual erro, o destino seria as pedras.

O  cenário estava montado como num filme de guerra com BOMBAS para todos os lados. Era como se no inside os inimigos tivessem colocado armadilhas e no outside havia explosão de dinamites… SEM COMENTÁRIOS!

Observando estas cenas, resolvemos ir logo para o Harbor organizar as equipes… Eu e o Rafael nos juntamos com a dupla portuga Antonio e Ramon e combinamos que eles começariam surfando, enquanto eu faria o jet de apoio com o segundo resgate.

Como no segundo jet de resgate, o piloto deve estar sempre só, o Rafael foi para um terceiro jet com o Serginho.  Este jet nos foi emprestado por nosso amigo Dark, para ficar de apoio no outside.  Nele estava toda nossa base, como pranchas, por exemplo, e de lá, o Serginho nos assessorava.

Nossa equipe estava formada com uma estrutura irada composta de 3 jet skis equipados com radios para nossa comunicação. Estávamos ainda conectados com um amigo em terra que carregava um quarto rádio, posicionado estrategicamente no alto do farol para nos fornecer mais uma opinião… Ele nos passava o que observava por cima das pedras, nos alertando toda vez que grandes series vinham em direção do Canhão de Nazaré.

Quando chegamos no outside o bicho estava pegando… Mais uma vez, as ondas enorme me pararam a respiração. Não tem como não respeitar aquilo…

Esperamos por mais de uma hora, quando veio uma série gigantesca e minha equipe entrou em ação com o Ramon puxando o Antonio Silva na primeira BOMBA da série. O combinado era de que o Antonio Silva surfaria a onda para a direita. Desta forma eu me posicionei mais baixo, acompanhando todos seus movimentos.

Tudo parecia perfeito… O Antonio soltou a corda e veio descendo aquele paredão monstruoso na reta do desfiladeiro, enquanto eu vinha vibrando numa visão privilegiada mais ao rabo de sua onda.

De repente, no meio do drop, o Antonio virou para a esquerda. Na hora eu me questionei sobre o que ele estava fazendo…  Foi então que ele trocou de borda novamente e se redirecionou para a direita.

Antonio Silva na BOMBA

Percebi que sua intenção foi ficar bem no buraco da onda, mas naquela posição a onda iria engolir ele…e BUMMMMM!!!!!!

Meu estado de alerta foi a mil quando vi a massa d’água atropelando o Antonio.  Haviam várias ondas enormes vindo atrás… Na hora pensei em entrar logo para tentar fazer seu resgate antes da onda seguinte, mas vi que o Ramon já havia tomado esta iniciativa.  Do canal eu fiquei torcendo para o Antonio emergir para a superfície e o Ramon resgatá-lo… Só que ele não aparecia. Então eu entrei atrás da segunda onda para tentar evitar que o Antonio levasse a terceira na cabeça, mas ele não apareceu para mim também. Como as pedras estavam chegando, tive que abortar.

O modo como as espumas explodiam contra as pedras, provocando back washs enorme, era aterrorizante. E as ondas não paravam…

Comecei a rezar e pedir para que Deus ajudasse nosso amigo a aguentar firme aquele momento, e que nos mostrasse um caminho…

Vendo a gravidade da situação, outras duplas vieram nos ajudar a procurará-lo perto das pedras. Contudo, a área perto das pedras, onde o Antonio poderia estar depois de tomar tantas ondas na cabeça, era impenetrável, devido a quantidade de ondas que explodiam no costão. Minha pergunta era como chegar naquele local de forma efetiva para resgatá-lo…

Então a minha idéia foi sair daquele local, ao lado do farol, e acelerar sozinho para o outside. De lá eu vi quando o Andrew Cotton pegou uma direita gigantesca, que era a última da série. Na hora eu pensei em seguir esta última onda da série até as pedras, com um olho na frente e outro ao fundo. Graças a Deus, depois desta onda, se estabeleceu um intervalo entre as séries, o que me possibilitou chegar muito próximo do desfiladeiro onde Antonio poderia estar. Eu estava implorando para Deus me mostrar onde estava meu amigo.

Eu procurava atentamente quando vi um ponto se movendo. Pensei na hora: “só pode ser ele…”. Olhei para trás para ter certeza que não havia nenhuma onda surpresa e acelerei em sua direção como se fosse a minha vida que estivesse ali. Pedia muito para Deus que eu não o perdesse mais. Quando cheguei, ele estava sem energia nenhuma, com o rosto cortado pelas pedras, o joelho quebrado e sem um de seus colete que acabou rasgando e se perdendo a meio de tantos caldos. Por uma benção de Deus eu consegui ajudá-lo a subir no sled e pude tirá-lo dali antes que outra onda viesse…

Ele estava em shock total, dizendo: “Me tira daqui… Me tira daqui…”

Ao sairmos da zona crítica, comemorei o fato do Antonio estar vivo e ter pegado a bomba da vida dele. Enquanto eu o passava para o jet do Ramon, disse que era meu ídolo por ter surfado aquela onda, tomado todas aquelas bombas na cabeça e aguentado firme.

Embora a situação fosse traumatizante, eu me sentia muito bem. Me senti um instrumento de Deus, e aquilo me deu forças para seguir em frente. Naquele momento dei carta branca para o Ramon levar o Antonio para o hospital e acabei FICANDO SEM O SEGUNDO JET DE APOIO. Este detalhe foi crucial…

Cheguei no jet do Serginho e pedi para o Rafael me puxar numa daquelas. Como ele se prontificou de imediato, pegamos e minha prancha, fui para corda e começamos a esquiar em algumas direitas…  Contudo, mesmo sabendo do perigo, o que eu queria mesmo era pegar alguma das esquerdas que corriam para a Praia do Norte.


Segui o meu instinto e minha primeira onda foi uma bomba surfada junto ao Benjamin Sanches. Quando sai por cima fiquei amarradão em ver o Rafael me resgatando rapidamente, como segue o protocolo, me fazendo sentir mais seguro para esperar uma série animal.

Rodrigo Koxa e Benjamin Sanches dividindo uma bomba dia 11 /12/2014

O que eu não sabia era que EU ESTAVA PRESTES A PASSAR A SITUAÇÃO MAIS PUNK DA MINHA VIDA…

Devido aos caldos que tomei no swell anterior e por tudo que presenciei durante o acidente do Antonio, a minha estratégia era não puxar muito o meu limite, surfando com segurança para o Rafael se ambientar em Nazaré e nós nos entrosarmos como dupla. Eu falei muitas vezes para ele que o MAIS IMPORTANTE é estarmos sempre juntos, ou seja, com o jet sempre seguindo a onda do surfista, para quando este saísse da onda, o resgate fosse efetivo antes da onda detrás chegar…  MAS INFELIZMENTE NÃO ADIANTOU MUITO!!!!

Como achei que estava tudo certo, quando vimos uma série GIGANTE, soltei da corda na primeira da série, que era uma esquerda enorme, e surfei minha onda na maior prudência possível. Sabendo que haviam outras atrás, eu realmente não queria cair e nem ser varrido por ela …



Então, após percorrer boa parte da bomba, sai por cima para facilitar meu resgate e fiquei ATERRORIZADO AO EXTREMO porque me deparei com OUTRA BOMBA GIGANTESCA vindo em minha direção e CADE o RAFAEL???? Foi o MAIOR SUSTO DA MINHA VIDA!!!!

Rodrigo Koxa saindo por cima de sua onda e assistindo a bomba gigantesca surfada por Benjamin Sanches que depois iria lhe atropelar

Percebi que não haveria resgate, pois meu parceiro, observando o tamanho da onda de trás da minha, ficou com medo e abortou a missão…

ERA O PESADELO… Pedi: “MEU DEUS, por favor me ajude…”. Eu racionalmente sabia que tinha cerca de 15 à 20 segundos para acalmar um pouco minha respiração e aquietar minha mente, numa estratégia de instinto de sobrevivência, mas na prática eu só sentia meu estômago tremendo e se comprimindo num estado nítido de muito medo!!!

Foi uma cena inesquecível, e traumatizante, de filme de terror… De tão grande que era, eu via a onda explodindo em câmera lenta e assisti o francês Benjamin Sanches pingando de maneira surreal passando pelos bumps…

Inevitavelmente ela me pegou como um URSO DO MAR. Me senti uma meia numa máquina de lavar roupa sendo jogado para todos os lados… Devido ao meu colete quase ser arrancado, me agarrei nele com tanta força, que gastei ainda mais energia… Tudo que eu queria era subir para a superfície e SAIR DALI… Não parei de rezar por nenhum momento!!!

Graças a Deus, mesmo vendo estrelinhas, consegui subi na superfície com aquele tempo contado de uma rápida respiração e…. BUMMMM DE NOVO!!

Minha reza estava em alta voltagem enquanto eu tomava as maiores ondas da minha vida na cabeça…

Minha preocupação se tornou muito mais crítica, a medida que eu vinha me aproximando do desfiladeiro.

E meu questionamento era do que adiantaria eu conseguir aguentar tantos caldos, se eu estava caminho a ser destruído naquelas pedras tenebrosas?

Foi então que tive um momento mágico de alívio, quando avistei meu parceiro vindo do fundo, em minha direção para me resgatar. Só que a velocidade que ele estava era tão alta, que não conseguiu parar o jet e acabou passando por mim gritando… “Desculpa amigo”.  Na hora eu pensei “NÃO RAFAEL”!!!

Tentando fazer a voltar para me pegar, o Rafael perdeu a direção do jet ski e foi atropelado por uma onda ficando, assim como eu, a deriva no mar. Observando isso eu preocupei ainda mais, pois agora minha equipe não tinha mais resgates!!!! OMG…

Embora tudo errado, continuei com meu mantra pedindo para Deus que me tirasse dali… Minha vida passou como filme em minha cabeça e comecei a me arrepender de estar ali… Só consegui lembrar da minha mulher, dos meus pais e pedir uma LUZ…

Quando deu uma calmaria e eu estava na frente do desfiladeiro, podia ouvir a galera gritar de cima do penhasco para eu sair dali… Como se fosse adiantar, comecei a nadar em direção a Praia do Norte…

Nisso uma série intermediária entrou e por sorte, não quebrou. Passou direto por mim, bateu nas pedras e voltou, como uma onda lateral que se juntou a onda de trás, bem em cima de mim, formando uma sonhada onda de OESTE…

Entendi na hora que se tratava da MÃO DE DEUS…  Sem pensar em nada deixei que ela me pegasse e me tirasse dali.

Claro que tomei um caldo bizarro, bem colado as pedras, mas quando eu subi desse caldão, percebi que se as ondas continuassem naquela direção eu conseguiria escapar da parte mais assustadora…

Tomei mais 3 ondas bem pesadas e fui jogado para o cantinho da praia quando o Garrett chegou com o jet, me resgatou e me deixou na areia…. UFA!!! O Rafael foi parar na areia também.


Na praia eu engasguei e vomitei água. Não conseguia andar, porque minha perna tremia muito e os paramédicos vieram ajudar…

Quando me recuperei fisicamente, me emocionei e chorei muito com o Samuel, meu amigo missionário do Brasil, que fez uma linda oração de agradecimento à Deus pela minha vida!!!


Aquela foi a experiência mais conturbada da minha vida, que me deixou muito abalado pelo medo que eu senti em frente das pedras. Mas foi também a experiência mais mística, quando senti uma proteção mágica e uma força divina, que se tornou o meu momento pessoal com DEUS!!! Naquela hora eu não tinha ideia de que esta experiência seria utilizada como um constante aprendizado e conhecimento de mim mesmo.

Refletindo agora, me sinto extremamente honrado em ter ajudado a salvar a vida do Antonio Silva, muito corajoso por querer seguir em frente e um fiel religioso por implorar a proteção divina.

Na areia de Nazaré agradecendo pela vida

Bom, chegará a hora de reencontrar a todos e comemorar as diversas bombas surfadas naquele dia histórico.

O capitão de Nazaré, Garrett Mcnamara, tinha ido além do padrão e surfou a maior onda do dia e DA HISTÓRIA DO SURF, sem qualquer sombra de dúvidas…

A imagem fala por si…

Garrett Mcnamara na maior onda surfada da história do surf

Este foi um dia em que todos os presentes passaram por momentos muito intensos, mas com certeza, Deus iluminou a todos.

Eric Rebiere dando show de pilotagem

agradecendo a parceria feita pelo chileno Rafael Tapia 11/12/2014

OBRIGADO NAZARÉ!!!

Garrett, koxa, Hugo Vau, Rafael Tapia, Andrew Cotton e Serginho

Obrigado Nossa Senhora de NAZARÉ

Go Back to my home!!! Go Brasil!!!

PARTE 3 – NAZARÉ 2015 – TEAM WORK – com Vitor Faria e Serginho…

Depois de tudo o que me aconteceu na temporada de 2014, em Portugal, o meu ano de 2015 se resumiu nas lembranças daquelas cenas e sentimentos de medo, contribuindo para multiplicar meu respeito pelo Canhão de Nazaré…

Tive pesadelos constantes durante meses, que me fez cogitar sobre um fascínio patológico mau resolvido por aquela onda (rs).

Matéria que relata o perrengue de 2014, na Revista Hardcore

De fato, cada palavra do Garrett sobre a importância do trabalho em equipe fazia ainda mais sentido para mim. E eu sabia que somente o treino e o contato incessante com Nazaré faria com que eu me sentisse bem novamente.

Eu sentia a necessidade de melhorar a minha segurança e para isso eu precisava contar com uma equipe animal, que incluía meu parceiro Vitor Faria. Vitor e eu já  viajamos muito juntos e já surfarmos altas ondas pelo mundo a fora.  Ter um irmão ao lado, que sempre treinei e tenho ótima sintonia, seria crucial para eu voltar a me sentir confiante.

Enfim, chegava a hora da nossa equipe ser a NOSSA EQUIPE!!

Vitor Faria e Rodrigo Koxa em janeiro do ano 2000, no HAWAII

Eu sabia que podia contar com o Serginho, porque ele pilota muito qualquer coisa com motor… Ele foi vice campeão Português  de rally, como co-piloto, e sempre pilotou moto, quadriciclo, Pajero em drifty nas ruas de terra, jet em água doce, etc… Só lhe faltava mesmo a experiência com ondas grandes, mas conhecendo a garra, determinação e talento do meu amigo, eu tinha certeza que ele mandaria muito bem. E mais, ele estava realmente determinado e focado na arena de Nazaré!

Enquanto ele postava as fotos dos seus treinos de jet e com a equipe do Garrett em Portugal, eu acompanhava tudo e vibrava muito aqui do Brasil.

Clipagem do Instagram do Serginho treinando em Nazaré…

Eu acreditava que eu, o Vitor e o Serginho formaríamos uma equipe irada composta por um surfista, um piloto principal e um segundo piloto de resgate.

E desta forma, esperando para pegar o primeiro swell de 2015, eu e o Vitor embarcamos para Portugal em outubro, onde passamos quase 2 meses com o Serginho.

Vitor Faria, Rodrigo Koxa e Sergio Cosme – Nazaré 2015

Serginho novamente nos buscou no aeroporto e fomos direto para Nazaré, em busca de um apartamento para alugar.

Nosso QG foi montado na praia de Nazaré e contava com uma vista privilegiada para o Canhão, de onde podíamos ver as séries das ondas passando pelo primeiro pico e batendo nas pedras…

Visual da nossa casa alugada. Foto:Jose Pinto

Mais uma vez  eu sentia uma energia muito forte naquele lugar e acreditava que em breve minha confiança voltaria novamente, considerando que agora eu contava com a estrutura de minha equipe.

E ainda, às vésperas do swell, mais 3 amigos, Paulo, Nuno e Rita, integraram a nossa parceria, o que viabilizou toda logística devido à dois deles obterem seu próprio jet.

Mais 2 jetskis do Paulo e do Nuno agregaram a equipe

No dia do swell, eu e o Vitor iniciamos como dupla no nosso jet. O Serginho ficou na responsa do segundo resgate com o jet do Paulo, que era o melhor equipamento. O Paulo e o Nuno ficaram com o terceiro jet no outside, esperando a vez de cada um surfar e a Rita, posicionada estrategicamente em cima do desfiladeiro, nos instruía via rádio.

Sem duvida formamos uma grande família!!!

Nossa ESTRUTURA 2015

Com o mar grande e muito perfeito, o dia estava bem agradável para testarmos a efetividade da nossa equipe.

Comecei pilotando para o Vitor, que estava prestes a surfar pela primeira vez em Nazaré, e logo de cara ele pegou 3 bombas animais.  Como excelente surfista que sempre foi, surfou todas suas ondas com bastante segurança . Para mim, era alucinante ver a emoção do meu irmãozão surfando aquelas bombas.

Vitor Faria sendo puxado por Rodrigo Koxa em Nazaré 2015

A minha missão, enquanto pilotava para o Vitor, além de não permitir que ele tomasse na cabeça, era mostrar a importância de estar acompanhando o surfista, quando este saísse de cada onda. Eu precisava ter certeza que ele havia entendido o procedimento do resgate, porque eu ainda estava com muito receio e cheio de sequelas do fatídico dia 11/12/2014.

Vitor Faria dropando uma de suas bombas em Nazaré, sendo puxado por Rodrigo Koxa

Quando perguntei ao Vitor se ele me puxaria, claro que ele se disponibilizou na hora, mas confesso que quando fui para corda, me bateu um medo e eu fiquei aflito.

Minha sensação era esquisita, pois eu sabia que poderia surfar aquelas ondas, mas ficava pensando se haveriam falhas nos meus resgates… Eu perturbei tanto o Vitor que até pedi desculpas para ele depois. Expliquei que toda minha insegurança gerou-se ali, e que, com toda sua habilidade, ele me ajudaria a reverter isso.

Ele estava tão de boa na pilotagem que foi me passando tranquilidade.

Foi alucinante quando peguei a primeira onda. Eu fiquei AMARRADÃO, mas, ao sair dela, veio o suspense… Será que o Vitor estaria lá ????

E ele estava pronto para me resgatar… Logo atrás ainda estava o Serginho também… Ufa!!! Show EQUIPE!!!

Depois peguei mais ondas e agradeci a Deus por ter o Vitor e o Sérgio tão comprometidos.

Depois do meu surfe, fui amarradão puxar o Serginho, que nunca tinha surfado aquela onda, e o Vitinho passou para segundo resgate… Estava preocupado, mas o Serginho mostrou porque estava ali… A equipe estava entrosada!!

Go SERGINHO!!!

Serginho pegando uma bomba

Serginho vinha sólido nas ondas!!! Ele estava se superando a cada swell e era nossa alegria vê-lo descendo as bombas…

Vitor também puxou o Serginho e depois foi a vez do Nuno, o nosso integrante violinista que dropou as suas ondas com violino nas mãos…

Nuno Santos o VIOLINISTA DE NAZARÉ

O salva vidas Paulão adorou estar ali, observando a cena, não surfou aquele dia, mas prometeu que logo droparia…

Paulo Marques salva vidas integrante da equipe

O resultado final deste primeiro dia foi muito legal porque surfamos altas ondas e em nenhum momento foi necessário usar o segundo resgate, embora ele estivesse lá o tempo todo… Acabamos o dia na melhor energia e eu tive as certezas de que aquele lugar era mágico, que eu eu sou muito feliz fazendo o que amo e que melhor ainda é estar ao lado dos meus amigos…

Partiu PIZZA e comemorar a missão cumprida. OBRIGADO IRMANDADE!!!!

Nada mau para começar a temporada Nazaré 2015, sabendo que muita onda ainda estava por vir….


A Praia do Norte é um beach break que não fica devendo nada para Puerto Escondido. Quando o mar estava baixando eu pude conhecer a qualidade das ondas do inside daquela praia.

Era a hora de pegar os tubos…


Mesmo com as ondas baixando a brincadeira continuava. Era só mudar as pranchas e… Salve as marolinhas de Nazaré!!!

Rodrigo Koxa acompanhando a perfeição das ondas pequenas na Praia Do Norte

Entubando na Praia Do Norte – Foto: Helio Antonio

Eu estava cada vez mais fascinado com o lugar! Nunca vi um pico variar tão rápido de 60 para 6 pés, mantendo o power e a qualidade.

Apesar de muito intenso, se dependesse de mim, não teríamos descanso. Surf todo dia…

Mas como uma máquina de big swells, uma nova previsão apareceu no forecast. Nisso chegou nosso engenheiro eletrônico Lucas Castro, vulgo Whoozeman, que criou o projeto promissor de medição de ondas, BWTS. Trata-se de um equipamento instalado nas pranchas que, através de sensores, obtêm o tamanho das ondas.


Quando Lucas chegou, estávamos com uma prancha nova que havíamos encomendado com o Hugo SPO. Esta prancha SPO é famosa, devido a um sistema de suspensão desenvolvida pelo Shaper Hugo Cartaxana junto ao Garret McNamara, e há muito tempo eu queria uma desta para mim.

Neste swell teríamos a chance de testá-la e então foi aquela correria para adaptar o módulo corretamente para não sair.


Mas meus planos eram também remar com minha gunzeira 11’3 , novinha, que mandei fazer com o Shaper AKIWAS no Brasil. Não via a hora de surfar com ela o out side de Nazaré e depois surfar de tow in, com a prancha nova SPO para testar o módulo BWTS.

Rodrigo Koxa com sua 11’3 Akiwas / SilverSurf em Nazaré

Contudo, sendo coerente com os fatos, remar nesse pico não significa pegar sua gunzeira e ir surfar… Você precisa de uma estratégia de equipe igual para surfar de tow-in.

O planejamento de segurança é a arte de prever os problemas e esse era o respeito que entendiamos ser necessário nos dias grandes em Nazaré.

Neste caso fui para o out side com o Vitor Faria como uma dupla de tow-in. Ele fez toda minha segurança com o jet e me resgatou para poder voltar para o fundo. Inclusive eu estava sem lash para facilitar subir no sled durante os resgates… FOI ANIMAL!!!!!!




Tive que ser resgatado pelo Vitor 2 vezes e agradeci bastante a parceria. Valeu a aventura!!!!

Na sequência troquei a pilotagem com o Vitor e ele foi para corda estrear prancha nova de tow. O swell já estava com mais consistência e pegou duas bombas lindas..

Vitor Faria sendo puxado por Rodrigo Koxa. Foto – Lucas Whoozeman

Repost WSL -Vitor Faria sendo puxado por Rodrigo Koxa e Serginho no segundo resgate

No final do dia, ainda surfei algumas de tow-in. A prancha SPO era ANIMAL e o módulo do Lucas deu certo!!!

Rodrigo Koxa sendo puxado por Vitor Faria e Serginho no segundo resgate. Frame – Carlos Muriongo

Rodrigo Koxa sendo puxado por Vitor e Sergio no segundo resgate

Dia seguinte o mar estava maior. Foi o tempo de tomar um breve CAFÉ DA MANHÃ e partir! EQUIPE PRONTA, GO GO GO!!!!

Eu só sentia como era incrível poder contar com uma equipe e como isso muda tudo… Obrigado FAMÍLIA!!!


Corremos para água e eu comecei surfando. Estava pirado em como essa prancha nova era boa para surfar os bumps…

Rodrigo Koxa sendo puxado por Vitor Faria

Rodrigo Koxa entrando para o XXL 2016 sendo puxado por Vitor Faria e Serginho no segundo resgate.

 

Rodrigo Koxa sendo puxado por Vitor e Sergio no segundo resgate

Rodrigo Koxa numa fechadeira em Nazare

Depois puxei o Vitor e seguimos o protocolo… Vitor estava cada vez mais a vontade, tanto pilotando como surfando…

Vitor Faria numa bomba sendo puxado por Rodrigo Koxa e Serginho no segundo resgate

Vitor Faria numa bomba branca de espuma sendo puxado por Rodrigo Koxa e Serginho no segundo resgate

Serginho na BOMBA



Serginho e Nuno também pegaram suas bombas e eu resumo essa viagem como “fazendo as pazes com Nazaré”.

Tudo ocorreu da melhor maneira possível, conforme o planejado, mas eu ainda tinha sequelas de medo…

Senti medo de ser abandonado no fundo, durante todas as minhas quedas . Todas as vezes que sai por cima de uma onda grande, fiquei apreensivo pensando se o resgate estaria mesmo ali. Não relaxei nem mesmo quando meus parceiros me seguiam pontualmente. Apesar de parecer assustador, isso foi crucial para eu perceber o quanto eu precisava trabalhar os aspectos psicológicos do trauma vivido em 2014 também.

Antes de voltarmos para o Brasil, no início de dezembro, quebrou mais um swell e meu plano foi surfar na remada novamente. Nesta queda não rendeu nada para mim, a não ser uma lesão no ombro esquerdo. Fiquei com medo de tomar a série na cabeça e subi afoitamente no jet, tirando meu ombro do lugar. Foi meu limite!

Ok, fim de viagem e hora de agradecer todos os amigos que estavam convivendo conosco.

PARTIU BRASIL!!!!!!  Obrigado IRMANDADE!!!!!

Já no Brasil, foram 3 meses tratando o ombro com muita fisioterapia com o Marquinhos no Guarujá e com uma cirurgia espiritual no Nosso Lar NENL.

Contudo, a crise econômica não me permitiu renovar o patrocínio principal de bico e agora estou em busca de um novo patrocinador para continuar meu trabalho em busca das maiores ondas do mundo…

Acredito que esta minha história com Nazaré tenha me evoluído muito como ser humano e me feito dar mais valor a vida…

Entendo que hoje temos uma equipe preparada para ondas gigantes e esse simples fato faz minha alma sorrir…

PRECISAMOS MESMO É AGORA SURFAR UM SWELL GIGANTESCO COM ESSA NOSSA EQUIPE DE IRMANDADE!!!!!!

Logo começa a temporada Nazaré 2016 e YEAHH  We Will Be BACK!!!!

Os testes com os módulos BWTS foram positivos e obtivemos algumas medições do tamanho de nossas ondas surfadas…

Rodrigo Koxa que tem 1,72cm de altura passou a obter uma escala real de 1,46cm BWTS

No entanto, voltaremos com o projeto para temporada 2016, aguardando o próximo NAZARÉ HISTÓRICO…

Quem quiser conhecer mais sobre o BWTS é só acessar http://www.gruposawaya.com/bwts

Em breve mais informações e atualizações…

#KoxaBOMB #GoBIGGER

Aulas para surfar de TowIn com Rodrigo Koxa – #TowSessionRK

BEM VINDOS ao #TowSessionRK 

aulas para aprender e fazer sessoes de towin com Rodrigo Koxa #TowSessionRK


Conheça o método das Tow Session criadas pelo big rider Rodrigo Koxa para ensinar e proporcionar boas sessões de tow-in na praia da Enseada, Guarujá, SP.

Para ver como funciona, entre na pagina aqui da BLOG: https://rodrigokoxa.com.br/

Contato para agendar sua sessão: rodrigo.koxa@hotmail.com