Sessão de JAWS na remada. 19/01/2014 – HAWAII

PPor Rodrigo Koxa

Rodrigo Koxa pronto para entrar em Jaws na remada durante as primeiras horas do dia. Foto: XTRAX

Rodrigo Koxa pronto para entrar em Jaws na remada durante as primeiras horas do dia. Foto: XTRAX

  “O meu foco principal no Hawaii esse ano, assim como na temporada passada, foi monitorar as grandes ondulações que atingissem o arquipélago, para surfar Jaws na remada.

No entanto, em dezembro, os swells predominantes foram os de oeste, que proporcionaram vários dias clássicos em Pipeline, e com isso permaneci o mês todo na ilha de Oahu aproveitando essas excelentes condições.

Apenas em janeiro, o meu foco pode ser colocado em prática. Devido as grandes ondulações que atingiram o arquipélago havaiano, a ilha de Maui, tornou-se o lugar mais cobiçado pelos big riders, e desta forma acabei fazendo dois bate voltas de Oahu para Maui, durante o primeiro mês de 2014, que me renderam dias incríveis de surf em Jaws.

Jaws visto por cima do cliff. Foto: Pedro Gomes / Surfline.

Jaws visto por cima do cliff. Foto: Pedro Gomes / Surfline.

O primeiro bate e volta foi no dia 17 de janeiro. Peguei o voo das 5:00 da manhã, fiz uma sessão de surf na remada em Peahi de mais de 4 horas, que foi o suficiente para eu me sentir destruído, e voltei para Oahu no voo das 9:00 da noite. Essa queda serviu para eu aquecer as minhas turbinas e poder me instigar um pouco mais, pois o melhor dia ainda estava por vir.

Dia 18, em Oahu, optei por passar o dia todo descansando e recarregando as minhas energias, tendo em vista que as ondas haviam diminuído e as previsões para o dia 19 apontavam condições melhores do que as do dia 17, devido ao período do swell que estava aumentando e não manifestando influência de ventos. 

Assim, no dia 19, mais uma vez tive que acordar às 2 para conseguir pegar o voo às 5 da manhã para Maui. Essas são missões que fazem do surf em Jaws ser ainda mais desgastante, embora tudo acabe valendo a pena quando nos depararmos com aquele mar épico visto de cima do cliff ao amanhecer.

Rodrigo Koxa em mais um momento de adrenalina que é a hora de entrar pelas pedras. Foto:Xtrax

Rodrigo Koxa em mais um momento de adrenalina que é a hora de entrar pelas pedras. Foto:Xtrax

Desci o cliff de Peahi com minha 10’5 em baixo do braço, agradecendo a Deus pelo sentimento de estar no lugar certo, até caminhar pelas pedras e pular no mar, onde começa a adrenalina.

Rodrigo Koxa e Koa Rothman entrando pela pedras em Jaws. Foto: Pedro Gomes/ Surfline.

Rodrigo Koxa e Koa Rothman entrando pela pedras em Jaws. Foto: Pedro Gomes/ Surfline.

Rodrigo Koxa entrando pelas pedras em Jaws. Foto: Xtrax

Rodrigo Koxa entrando pelas pedras em Jaws. Foto: Xtrax

O dia estava magnífico, visto de dentro e de fora do mar, com ondas de mais de 20 pés quebrando para esquerda e para a direita.

O crowd era intenso, então minha estratégia foi ficar posicionado mais para o fundo e esperar pacientemente as ondas da série. Mas, como as coisas não são tão simples assim, quando entram as séries grandes, aquelas que a massa de água modificam o horizonte, o nosso instinto de sobrevivência fala mais alto e todo mundo sai remando o máximo que pode para o fundo. Isso acarreta no difícil jogo mental do posicionamento. Decidir ou não em que momento vale a pena remar para o fundo, ou esperar em baixo do pico a hora de pegar a onda, acaba por ser uma das tarefas mais conflitantes e desgastantes para o surfista de onda grande no line up.

Rodrigo Koxa observando a série passando do line up de Jaws. Foto: XTRAX

Rodrigo Koxa observando a série passando do line up de Jaws. Foto: XTRAX

Considero como frustrante quando estou bem posicionado numa bomba animal e acabo não pegando-a por algum motivo. Isso aconteceu comigo quando entrou uma esquerda muito grande e eu achei que iria tomá-la na cabeça. Enquanto eu remava o mais rápido que podia, fugindo para escapar daquela situação, percebi que o lip da onda havia segurado um pouco, e que eu não iria mais toma-la na cabeça. Naquele segundo eu deveria ter virado a prancha para pegar a minha bomba, mas por algum motivo eu não virei, e perdi, o que parecia ser, o melhor momento da minha sessão até então. Aquilo me deixou muito incomodado, pois eu sabia que eu estava no lugar certo e não fui. No entanto, como tudo na vida tem dois lados, foi à motivação que eu precisava para não hesitar na próxima.

Para mim, é muito importante ir gradativamente entrando em harmonia com o mar num dia como esse. Eu já havia pegado 2 ondas neste dia; uma para esquerda e outra para a direita, mas nenhuma delas foi a bomba que eu almejava.

Rodrigo Koxa dropando Jaws. Foto: Bruno Lemos

Rodrigo Koxa dropando Jaws. Foto: Bruno Lemos


Rodrigo koxa dropando a direita de JAWS. 19/1/2014

Rodrigo koxa dropando a direita de JAWS. 19/1/2014

 

Por volta das 2 da tarde, numa situação similar a que eu havia passado mais cedo, surgiu outra série ao fundo e a correria para escapar vivo começou. Fugi em direção às esquerdas, achando novamente que iria tomar na cabeça se não remasse, mas quando percebi aquela segurada do lip acontecendo de novo, pensei: é agora. Naquele momento percebi que apenas eu havia virado a prancha para pegar aquela esquerda da série, e então, colei meu queixo na minha gun, e remei com toda a minha força, pois dali não teria mais volta.

Rodrigo Koxa dropando  Jaws na remada com sua gunzeira 10'5,  durante o big swell clássico do dia 19/01/2014. Fotos: Pure Digital Maui

Rodrigo Koxa dropando Jaws na remada com sua gunzeira 10’5, durante o big swell clássico do dia 19/01/2014. Fotos:PureDigitalMaui

O resultado foi um drop vertical no qual eu grudei minha unha na prancha, pois eu sabia que não poderia cair. Na sequencia, tive que fazer uma cavada na pressão para fugir de ser engolido pelo espumeiro e acelerei até completar a onda em segurança total no canal. Na cabeça, os únicos pensamentos eram a gratidão e a satisfação.

Rodrigo Koxa cavando em Jaws com sua 10'5. 19/1/2014. Foto: Pure Digital Maui.

Rodrigo Koxa cavando em Jaws com sua 10’5. 19/1/2014. Foto: Pure Digital Maui.


Rodrigo Koxa escapando da massa de água de Jaws após dropar esquerda da série para esquerda. 19/1/2014. Foto:PureDigitalMaui

Rodrigo Koxa escapando da massa de água de Jaws após dropar esquerda da série para esquerda. 19/1/2014. Foto:PureDigitalMaui

 

 Além de ser super gratificante, acaba sendo um alívio finalizar uma session de surf na remada em Jaws, considerando o grande respeito que tenho por esse lugar mágico do big surf.


Presenciei vários momentos irados da galera dropando altas ondas, e o mais legal é saber que vários desses surfistas são brasileiros, tais como os próprios percursores do surf na remada em Jaws, Danilo, Yuri e Márcio. Também pude presenciar os brasileiros Lapinho, Pato, Kona, Alfredo Bahia, Imbica, Cesinha, e a brasileira Andréa Moller pegando altas ondas nesse dia especial. Como estamos falando de Jaws, onde quebram as maiores ondas do Hawaii, o crowd ainda era composto por ícones do big surf, como Greg Long, Twiggy, Garret Mcnamara, Mark Healey, Ian Wash, Kealii Mamala, entre outros…

Enfim, aproveito para agradecer o suporte dos meus patrocinadores por me viabilizarem estar nesses dias mágicos do surf de ondas grandes pelo mundo, representando a marca e a ideologia de cada um deles. Obrigado Wave Giant, Tent Beach, Travel Ace, Bullys, Tagon8, Câmeras Xtrax, Akiwas, Mendonça, Wave Shape Center, Silver Surf laminações, Cegig Fisioterapia, Flex Academia, Fu-Wax e Restaurante Delírio Natural.

Rodrigo koxa com sua 10'5 Mendonça no Hawaii.

Rodrigo koxa com sua 10’5 Mendonça no Hawaii.

Aloha Hawaii e Mahalo Ke Akua.” Relata Rodrigo Koxa agradecendo. 

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