PARTE 2 – NAZARÉ 2014 

PARTE 2 –  NAZARÉ  2014… 1 ano depois!!!

Passado 1 ano o swell histórico de 2013, outra bomba se formou ao norte do Oceano Atlântico, com destino à Nazaré no dia 29 de novembro de 2014…

No Brasil, monitorando a previsão do swell pela internet, entrei em contato com meu amigo Havaiano kealii Mamala, que já estava pegando altas ondas lá em Nazaré e perguntei  a ele se haveria a possibilidade de eu ir surfar com sua equipe neste swell que se aproximava. 

Ele disse que o Garrett não estaria nesse swell, devido a uma viagem para China, e me confirmou que sim, que eu poderia me juntar a eles.

YEAHH PARTIU PORTUGAL minha segunda TEMPORADA!!!!

Na manhã do dia 28 de novembro, mais uma vez, o Serginho foi me pegar no aeroporto de Lisboa. 

Dei sorte de ter conseguido dormir um pouco no vôo da madrugada, pois partimos direto para Nazaré. Com o swell chegando, existia a possibilidade de surfar na remada ondas de 20 pés ainda naquele final de tarde.

Meu corpo estava tão cansado que enquanto estávamos na estrada cheguei a torcer para o mar ainda estar pequeno e eu poder descansar e me concentrar para o dia seguinte que prometia ser de BOMBAS!!!!

Mas enfim, chegando em Nazaré, ligamos para o Kealii, e ele nos atendeu completamente eufórico, dizendo: “Yeahhh Its BIG already… 20plus… PADDLE DAY… Go to the Harbor now.. WE GOING”

Com a pilha do Kealii, eu me esqueci completamente do meu cansaço e do jet leg do vôo, e não parava de imaginar como seria remar pela primeira vez naquele lugar…

Como minha prancha 10’6 estava que estava no teto do carro iria se comportar..

Eu e o Serginho fomos para o outside com o Kealii, Andrew Cotton, Hugo Vau e os irmãos Will e Cliff Sckudin.

Fiquei amarradão em ver o Serginho participando da equipe, pilotando um dos Jets enquanto todos os demais revezamos os outros Jets e as gunzeiras para remar.

Entretanto, estava muito difícil um posicionamento eficiente para surfar aquelas séries na remada, devido as bombas que vinham cada hora em um lugar diferente. Eu mesmo já havia quase tomado 2 séries enormes na cabeça e precisei mergulhar e ser resgatado em uma delas… Depois disso cheguei a me questionar se aquela session seria produtiva.

Neste momento entrou uma série bem perto de mim. 

Sabendo que viriam outras atrás, deixei a primeira onda da série passar . Quando olhei a onda seguinte, me senti no lugar certo e remei com toda força para dropar a minha primeira onda surfada na remada em Nazaré.

Rodrigo Koxa na remada em Nazare 28/11/2014 Foto: JorgeLeal

Me senti completamente realizado com aquele drop e depois de ter pegado a minha onda troquei de lugar com o Andrew Cotton no jet ski, e passei a fazer a segurança da equipe até escurecer.

Como já conhecia melhor o local, estava super empolgado com a direção boa e segura do swell. Em ondulações de oeste, a energia das ondas formam correntezas para direita, que nos joga em direção ao meio da Praia do Norte, nos afastando das pedras e do perigo de surfar em Nazaré…

Quando amanheceu o esperado dia 29 de novembro de 2014, o visual estava incrível! O mar estava gigante, muito liso e o sol saindo sobre a neblina. O Kealii me colocou na função de fazer o segundo resgate e minha missão era estar sempre acompanhando ele em tudo.  Com isso pude refinar minha pilotagem com um jetski de ponta.

Após puxar todos os seus amigos, enquanto as bombas comiam soltas, Kealii me chamou: “Koxa, You READY????”

Minha resposta foi: “YEAHH I’m so F… READY!!!”

O mar estava clássico, bem mais liso do que eu imaginava, e o Kealii pilota muito! Ele é aquele cara que deixa todos ao seu lado numa energia elevadíssima. O maluco é muita vibe!!! Minha primeira onda foi surfada numa harmonia sem igual… Eu estava me integrando com Nazaré.

De repente, eu já havia surfado 5 ondas e estava amarrarão sentido a prancha cada vez mais no meu pé, até que…

Rodrigo Koxa em Nazare 29/11/2014 Foto Jose Pinto

Na sexta onda, eu decide puxar mais o meu limite e fiz questão de ficar atrasado e surfar no buraco da onda. Só que ela balançou e não teve jeito, depois de conseguir segurar a primeira pancada da espuma, a segunda me derrubou!!!!

BUMM!!! Foram mais 3 minutos tomando mais de 10 ondas na cabeça até ser arrastado para praia.

Assista o VIDEO pelo LINK:       https://youtu.be/oey47xra5-s

clipagem na FOX contando do perrengue de 2014


Mesmo sendo atropelado pelo swell de OESTE, eu estava tão confiante que aproveitei intensamente aquele momento e ALUCINADO eu AGRADECIA meu parceiro super treinado Kealii Mamala o tempo todo…

MUITA GRATIDÃO e RESPEITO por tudo que vivenciei!!!

David Langer, Rodrigo koxa, Kealii Mamala e Sergio Cosme na noite do swell 29/11/2014.

Embora pelo vídeo, o caldo pareça pesado, na real, eu estava bem tranquilo e amarradão por tudo aquilo… Era o que eu realmente queria e buscava!!!!

“EU SÓ NÃO IMAGINAVA QUE O PESADELO AINDA ESTAVA POR VIR”

Tivemos 1 dia para comemorar a missão cumprida, quando apareceu na internet a previsão de um NOVO SWELL, agora com um núcleo tão GRANDE que parecia até ser de mentira…

Mapa com a previsão do núcleo do swell no dia 10 de dezembro de 2014. Um dia antes do swell encostar em Nazaré, dia 11 de dezembro.

A BOMBA ESTAVA VINDO e tinha dia para chegar, seria em 11 de dezembro de 2014.

Eu estava em Portugal com minha passagem de volta marcada para o dia 05 de dezembro, mas passei a estudar todas as possibilidades… Como não se tratava de qualquer swell e a previsão estava gigantesca, minha cabeça virou um turbilhão…

Minha situação não estava muito favorável porque quando falei com o Kealii, perguntando a ele sobre os planos para esse próximo swell, ele me contou que voltaria para o Hawaii de qualquer jeito, e desta forma, eu não poderia mais contar com a equipe e estrutura que tive anteriormente.

Minha única estratégia era adquirir um jet ski, então comecei a pesquisar preços de vários modelos pensando em, de alguma forma, estar presente  no que estava por vir…

Nisso, o chileno Rafael Tapia, um dos meus parceiro de ondas grandes, me ligou dizendo que estava maluco para surfar aquele swell. Como ele estava com um dinheiro meu e do Vitor Faria guardado para comprar um jet novo no Chile, nossa idéia foi ele vir para Portugal, ser meu parceiro e trazer esta quantia que estava parada no Chile para adquirirmos um jet em Nazaré.

Rafael topou e chegou em Portugal com o dinheiro apenas dia 10 de dezembro, ou seja, 1 dia antes do swell, e foi nesta data que conseguimos comprar e levar o jet para casa.

O Jet Ski Yamaha é o nosso preferido, mas com a quantia que tínhamos, acrescida da parte do Serginho, que se tornou nosso sócio, partimos para um SeaDoo motor 215 animal.

YEAHHHH!!!! AGORA EU, o VITOR e o SERGINHO éramos dono de um SEADOO irado!!!!

Nosso jet ski chegando na noite anterior ao swell.  

O Plano para o dia gigantesco era eu e o Rafael Tapia formarmos uma equipe com a dupla de Portugueses Antonio Silva e Ramon. Assim, tanto eu seria o jet de apoio dos portugueses, como o Ramon seria o nosso segundo jet durante a session.

Embora estivesse tudo esquematizado e eu me sentisse super feliz, eu também me preocupava com o fato do Rafael nunca ter surfado e pilotado antes em Nazaré.  Vários flash backs das dificuldades que eu presenciei em 2013 tomaram conta dos meus pensamentos, e então, tudo o que eu me lembrava, eu passava para meu novo parceiro na madrugada que antecedeu o grande dia.

Como gosto de entender como funciona o swell, suas direções e as demais complexidades, eu sabia que o dia 11 de dezembro de 2014 seria MAIS ASSUSTADOR, MAIS TRAUMATIZANTE, MAIS MÁGICO, TURBULENTO e DIVINO POSSÍVEL…

Ao contrário do swell anterior, que era de oeste, neste, a direção era de NORTE. Isso significava que tanto a correnteza, como a energias das ondas, se colidiriam com às pedras.

Ao amanhecer, já estávamos de sentinela ao lado do farol, esperando para surfar no pico do swell, previsto para as duas da tarde. De cima do desfiladeiro, as condições já eram assustadoras. Lembro do Garrett orientado a todos sobre os riscos de surfar as ondas para a esquerda, pois naquele dia, qualquer eventual erro, o destino seria as pedras.

O  cenário estava montado como num filme de guerra com BOMBAS para todos os lados. Era como se no inside os inimigos tivessem colocado armadilhas e no outside havia explosão de dinamites… SEM COMENTÁRIOS!

Observando estas cenas, resolvemos ir logo para o Harbor organizar as equipes… Eu e o Rafael nos juntamos com a dupla portuga Antonio e Ramon e combinamos que eles começariam surfando, enquanto eu faria o jet de apoio com o segundo resgate.

Como no segundo jet de resgate, o piloto deve estar sempre só, o Rafael foi para um terceiro jet com o Serginho.  Este jet nos foi emprestado por nosso amigo Dark, para ficar de apoio no outside.  Nele estava toda nossa base, como pranchas, por exemplo, e de lá, o Serginho nos assessorava.

Nossa equipe estava formada com uma estrutura irada composta de 3 jet skis equipados com radios para nossa comunicação. Estávamos ainda conectados com um amigo em terra que carregava um quarto rádio, posicionado estrategicamente no alto do farol para nos fornecer mais uma opinião… Ele nos passava o que observava por cima das pedras, nos alertando toda vez que grandes series vinham em direção do Canhão de Nazaré.

Quando chegamos no outside o bicho estava pegando… Mais uma vez, as ondas enorme me pararam a respiração. Não tem como não respeitar aquilo…

Esperamos por mais de uma hora, quando veio uma série gigantesca e minha equipe entrou em ação com o Ramon puxando o Antonio Silva na primeira BOMBA da série. O combinado era de que o Antonio Silva surfaria a onda para a direita. Desta forma eu me posicionei mais baixo, acompanhando todos seus movimentos.

Tudo parecia perfeito… O Antonio soltou a corda e veio descendo aquele paredão monstruoso na reta do desfiladeiro, enquanto eu vinha vibrando numa visão privilegiada mais ao rabo de sua onda.

De repente, no meio do drop, o Antonio virou para a esquerda. Na hora eu me questionei sobre o que ele estava fazendo…  Foi então que ele trocou de borda novamente e se redirecionou para a direita.

Antonio Silva na BOMBA

Percebi que sua intenção foi ficar bem no buraco da onda, mas naquela posição a onda iria engolir ele…e BUMMMMM!!!!!!

Meu estado de alerta foi a mil quando vi a massa d’água atropelando o Antonio.  Haviam várias ondas enormes vindo atrás… Na hora pensei em entrar logo para tentar fazer seu resgate antes da onda seguinte, mas vi que o Ramon já havia tomado esta iniciativa.  Do canal eu fiquei torcendo para o Antonio emergir para a superfície e o Ramon resgatá-lo… Só que ele não aparecia. Então eu entrei atrás da segunda onda para tentar evitar que o Antonio levasse a terceira na cabeça, mas ele não apareceu para mim também. Como as pedras estavam chegando, tive que abortar.

O modo como as espumas explodiam contra as pedras, provocando back washs enorme, era aterrorizante. E as ondas não paravam…

Comecei a rezar e pedir para que Deus ajudasse nosso amigo a aguentar firme aquele momento, e que nos mostrasse um caminho…

Vendo a gravidade da situação, outras duplas vieram nos ajudar a procurará-lo perto das pedras. Contudo, a área perto das pedras, onde o Antonio poderia estar depois de tomar tantas ondas na cabeça, era impenetrável, devido a quantidade de ondas que explodiam no costão. Minha pergunta era como chegar naquele local de forma efetiva para resgatá-lo…

Então a minha idéia foi sair daquele local, ao lado do farol, e acelerar sozinho para o outside. De lá eu vi quando o Andrew Cotton pegou uma direita gigantesca, que era a última da série. Na hora eu pensei em seguir esta última onda da série até as pedras, com um olho na frente e outro ao fundo. Graças a Deus, depois desta onda, se estabeleceu um intervalo entre as séries, o que me possibilitou chegar muito próximo do desfiladeiro onde Antonio poderia estar. Eu estava implorando para Deus me mostrar onde estava meu amigo.

Eu procurava atentamente quando vi um ponto se movendo. Pensei na hora: “só pode ser ele…”. Olhei para trás para ter certeza que não havia nenhuma onda surpresa e acelerei em sua direção como se fosse a minha vida que estivesse ali. Pedia muito para Deus que eu não o perdesse mais. Quando cheguei, ele estava sem energia nenhuma, com o rosto cortado pelas pedras, o joelho quebrado e sem um de seus colete que acabou rasgando e se perdendo a meio de tantos caldos. Por uma benção de Deus eu consegui ajudá-lo a subir no sled e pude tirá-lo dali antes que outra onda viesse…

Ele estava em shock total, dizendo: “Me tira daqui… Me tira daqui…”

Ao sairmos da zona crítica, comemorei o fato do Antonio estar vivo e ter pegado a bomba da vida dele. Enquanto eu o passava para o jet do Ramon, disse que era meu ídolo por ter surfado aquela onda, tomado todas aquelas bombas na cabeça e aguentado firme.

Embora a situação fosse traumatizante, eu me sentia muito bem. Me senti um instrumento de Deus, e aquilo me deu forças para seguir em frente. Naquele momento dei carta branca para o Ramon levar o Antonio para o hospital e acabei FICANDO SEM O SEGUNDO JET DE APOIO. Este detalhe foi crucial…

Cheguei no jet do Serginho e pedi para o Rafael me puxar numa daquelas. Como ele se prontificou de imediato, pegamos e minha prancha, fui para corda e começamos a esquiar em algumas direitas…  Contudo, mesmo sabendo do perigo, o que eu queria mesmo era pegar alguma das esquerdas que corriam para a Praia do Norte.


Segui o meu instinto e minha primeira onda foi uma bomba surfada junto ao Benjamin Sanches. Quando sai por cima fiquei amarradão em ver o Rafael me resgatando rapidamente, como segue o protocolo, me fazendo sentir mais seguro para esperar uma série animal.

Rodrigo Koxa e Benjamin Sanches dividindo uma bomba dia 11 /12/2014

O que eu não sabia era que EU ESTAVA PRESTES A PASSAR A SITUAÇÃO MAIS PUNK DA MINHA VIDA…

Devido aos caldos que tomei no swell anterior e por tudo que presenciei durante o acidente do Antonio, a minha estratégia era não puxar muito o meu limite, surfando com segurança para o Rafael se ambientar em Nazaré e nós nos entrosarmos como dupla. Eu falei muitas vezes para ele que o MAIS IMPORTANTE é estarmos sempre juntos, ou seja, com o jet sempre seguindo a onda do surfista, para quando este saísse da onda, o resgate fosse efetivo antes da onda detrás chegar…  MAS INFELIZMENTE NÃO ADIANTOU MUITO!!!!

Como achei que estava tudo certo, quando vimos uma série GIGANTE, soltei da corda na primeira da série, que era uma esquerda enorme, e surfei minha onda na maior prudência possível. Sabendo que haviam outras atrás, eu realmente não queria cair e nem ser varrido por ela …



Então, após percorrer boa parte da bomba, sai por cima para facilitar meu resgate e fiquei ATERRORIZADO AO EXTREMO porque me deparei com OUTRA BOMBA GIGANTESCA vindo em minha direção e CADE o RAFAEL???? Foi o MAIOR SUSTO DA MINHA VIDA!!!!

Rodrigo Koxa saindo por cima de sua onda e assistindo a bomba gigantesca surfada por Benjamin Sanches que depois iria lhe atropelar

Percebi que não haveria resgate, pois meu parceiro, observando o tamanho da onda de trás da minha, ficou com medo e abortou a missão…

ERA O PESADELO… Pedi: “MEU DEUS, por favor me ajude…”. Eu racionalmente sabia que tinha cerca de 15 à 20 segundos para acalmar um pouco minha respiração e aquietar minha mente, numa estratégia de instinto de sobrevivência, mas na prática eu só sentia meu estômago tremendo e se comprimindo num estado nítido de muito medo!!!

Foi uma cena inesquecível, e traumatizante, de filme de terror… De tão grande que era, eu via a onda explodindo em câmera lenta e assisti o francês Benjamin Sanches pingando de maneira surreal passando pelos bumps…

Inevitavelmente ela me pegou como um URSO DO MAR. Me senti uma meia numa máquina de lavar roupa sendo jogado para todos os lados… Devido ao meu colete quase ser arrancado, me agarrei nele com tanta força, que gastei ainda mais energia… Tudo que eu queria era subir para a superfície e SAIR DALI… Não parei de rezar por nenhum momento!!!

Graças a Deus, mesmo vendo estrelinhas, consegui subi na superfície com aquele tempo contado de uma rápida respiração e…. BUMMMM DE NOVO!!

Minha reza estava em alta voltagem enquanto eu tomava as maiores ondas da minha vida na cabeça…

Minha preocupação se tornou muito mais crítica, a medida que eu vinha me aproximando do desfiladeiro.

E meu questionamento era do que adiantaria eu conseguir aguentar tantos caldos, se eu estava caminho a ser destruído naquelas pedras tenebrosas?

Foi então que tive um momento mágico de alívio, quando avistei meu parceiro vindo do fundo, em minha direção para me resgatar. Só que a velocidade que ele estava era tão alta, que não conseguiu parar o jet e acabou passando por mim gritando… “Desculpa amigo”.  Na hora eu pensei “NÃO RAFAEL”!!!

Tentando fazer a voltar para me pegar, o Rafael perdeu a direção do jet ski e foi atropelado por uma onda ficando, assim como eu, a deriva no mar. Observando isso eu preocupei ainda mais, pois agora minha equipe não tinha mais resgates!!!! OMG…

Embora tudo errado, continuei com meu mantra pedindo para Deus que me tirasse dali… Minha vida passou como filme em minha cabeça e comecei a me arrepender de estar ali… Só consegui lembrar da minha mulher, dos meus pais e pedir uma LUZ…

Quando deu uma calmaria e eu estava na frente do desfiladeiro, podia ouvir a galera gritar de cima do penhasco para eu sair dali… Como se fosse adiantar, comecei a nadar em direção a Praia do Norte…

Nisso uma série intermediária entrou e por sorte, não quebrou. Passou direto por mim, bateu nas pedras e voltou, como uma onda lateral que se juntou a onda de trás, bem em cima de mim, formando uma sonhada onda de OESTE…

Entendi na hora que se tratava da MÃO DE DEUS…  Sem pensar em nada deixei que ela me pegasse e me tirasse dali.

Claro que tomei um caldo bizarro, bem colado as pedras, mas quando eu subi desse caldão, percebi que se as ondas continuassem naquela direção eu conseguiria escapar da parte mais assustadora…

Tomei mais 3 ondas bem pesadas e fui jogado para o cantinho da praia quando o Garrett chegou com o jet, me resgatou e me deixou na areia…. UFA!!! O Rafael foi parar na areia também.


Na praia eu engasguei e vomitei água. Não conseguia andar, porque minha perna tremia muito e os paramédicos vieram ajudar…

Quando me recuperei fisicamente, me emocionei e chorei muito com o Samuel, meu amigo missionário do Brasil, que fez uma linda oração de agradecimento à Deus pela minha vida!!!


Aquela foi a experiência mais conturbada da minha vida, que me deixou muito abalado pelo medo que eu senti em frente das pedras. Mas foi também a experiência mais mística, quando senti uma proteção mágica e uma força divina, que se tornou o meu momento pessoal com DEUS!!! Naquela hora eu não tinha ideia de que esta experiência seria utilizada como um constante aprendizado e conhecimento de mim mesmo.

Refletindo agora, me sinto extremamente honrado em ter ajudado a salvar a vida do Antonio Silva, muito corajoso por querer seguir em frente e um fiel religioso por implorar a proteção divina.

Na areia de Nazaré agradecendo pela vida

Bom, chegará a hora de reencontrar a todos e comemorar as diversas bombas surfadas naquele dia histórico.

O capitão de Nazaré, Garrett Mcnamara, tinha ido além do padrão e surfou a maior onda do dia e DA HISTÓRIA DO SURF, sem qualquer sombra de dúvidas…

A imagem fala por si…

Garrett Mcnamara na maior onda surfada da história do surf

Este foi um dia em que todos os presentes passaram por momentos muito intensos, mas com certeza, Deus iluminou a todos.

Eric Rebiere dando show de pilotagem

agradecendo a parceria feita pelo chileno Rafael Tapia 11/12/2014

OBRIGADO NAZARÉ!!!

Garrett, koxa, Hugo Vau, Rafael Tapia, Andrew Cotton e Serginho

Obrigado Nossa Senhora de NAZARÉ

Go Back to my home!!! Go Brasil!!!

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