Rodrigo koxa conta sua história com as ondas Gigantes de NAZARÉ – PARTE 1

Por Rodrigo koxa:

PARTE 1 -NAZARÉ 2013

Já faz algum tempo que eu estava pensando em reativar o meu blog, e agora resolvi atualizá-lo contando sobre as minhas três temporadas nas ondas gigantes de Nazaré, que juntas se tornaram um TSUNAMI na minha vida…

Para isso, dividirei esta história em 3 partes, e cada uma delas fará referência as vivências de cada temporada.

Desde a minha primeira investida em Portugal, que foi no swell histórico de 2013, passei a rever e reconsiderar muitas coisas no BIG SURF…

Estar presente naquele dia monstruoso foi realmente muito intenso. Digo isso devido a maneira em que eu me encontrava naquele local, com uma estrutura que não era compatível as necessidades do pico. 

Começou por eu estar com um jet ski antigo, de motor 2 tempos, que afogava o tempo todo e deixava a impressão que a qualquer momento o motor poderia morrer. Este jet ski me foi emprestado pela dupla portuguesa Antonio Silva e Ramon, na melhor das intenções, e por isso eu decidi aceitar a oportunidade e viajar sozinho, sem meu parceiro Vitor, que ficou doente e não pode embarcar.

Rodrigo Koxa com o jet 2 tempos no big Nazare e Andrew Cotton ja se preparando

Creio que as coisas não acontecem por acaso. Antes desta experiência eu realmente acreditava que se eu e o Vitor viajássemos juntos para Nazaré, ou em qualquer outro lugar do mundo, mesmo sem nunca ter treinado lá anteriormente, e um jet ski nos fosse designado, a gente surfaria a onda que aparecesse e pronto.

Eu simplesmente não entendia toda à complexidade que envolvia surfar ondas gigantes naquele local em específico, denominado Nazaré.

Mapa da previsão do núcleo do swell de outubro de 2013

 O que aconteceu, na real, é que vi o swell na internet e acabei embarcando para Portugal na mais pura emoção, sem nenhum parceiro e sem nenhuma equipe.

Logo que cheguei comecei a observar que o Garrett Mcnamara tinha uma equipe completa, que contava com um segundo jet de apoio, para auxiliá-los no resgate e ainda pessoas no cliff que os orientavam através de rádios. 

Visto isso, considerei que, como eu estava sozinho, eu poderia tentar agregar de alguma forma na segurança de uma outra dupla e assim, formar um time para aquela ocasião. Neste momento, pedi para a dupla dos meus amigos brasileiros, Eric Rebiere e Sylvio Mancusi, se poderíamos compor uma equipe, na qual eu poderia ser esse jet de apoio para eles, e no final da sessão da dupla, eu pegaria alguma onda também… Feito!!!! 

Para minha sorte, alívio e felicidade, eles aceitaram!

Logo no início da session, enquanto o Sylvio puxava o Eric, lembro-me que eu estava acompanhando-os pelo rabo esquerdo da onda, que era gigantesca, quando o Eric me surpreendeu dropando para a direita, cruzando a onda toda. Neste instante eu senti toda a intensidade do meu coração batendo a mil, com um único pensamento na minha cabeça, que se repetia como um mantra nas palavras “MEU DEUS”!!!!

Lembro que a onda anterior foi a onda que aconteceu o acidente da Maya. Eu não pude ver, porque estava extremamente concentrando na minha equipe e na preparação do Eric na onda de trás. Me lembro apenas, de relance, que a Maya estava pegando a bomba anterior a do Eric, mas não observei nem a sua queda e nem o que aconteceu depois.

Em condições como estas eu sabia que precisa evitar ao máximo descer para o inside, pois lá fica um reboliço só.  Então, quando o Sylvio resgatou o Eric eu relaxei, e só então reparei que a equipe da Maya tinha desaparecido. Não demorou muito para notícia sobre o afogamento grave da Maya Gabeira chegar via rádio e se espalhar no out side.

Imediatamente a galera parou o surf!!!! 

Todos nós no out side passamos a rezar e orar pela vida da Maya, até recebermos a segunda notícia, que foi extremamente comemorada, ela estava melhorando e não corria mais risco de vida.

Nesse instante o vento aumentou, complicando a situação anterior, que era de mar liso. Mesmo assim, eu queria muito tentar pegar uma daquelas montanhas e pedi ao Eric o favor de me puxar antes deles encerrarem o dia…

“Simbora Koxa” foi a resposta do Eric, para minha imensa felicidade. Uhuaaa, chegara minha vez de ir para corda. Pedi proteção para Deus e pulei na água. Tentava a todo custo não pensar nas verdadeiras montanhas de água  que se formavam em frente a aquele desfiladeiro de pedras e que roubavam muito da minha atenção por horas e horas enquanto eu pilotava o jet de apoio. 

Eu sabia que estava para surfar as maiores ondas da minha vida.

Aquelas pedras meu Deus.. São muitos os fatores complicadores em Nazaré que fazem daquele local único no mundo. No entanto, na minha opinião,  vejo como agravador máximo que dificulta o surf naquelas ondas, o fato das maiores do dia quebrarem no local que denominamos como “primeiro pico”, que é uma faixa onde só quebram as ondas acima de 60 pés, e para se pegar essas montanhinhas, temos que soltar a corda exatamente em frente a esse desconcertante desfiladeiro de pedras do canhão de Nazaré. 

Só amando muito mesmo, rs

Logo que eu comecei a esquiar na corda, em meio a bumps enormes por todos os lados, comecei também a questionar aquela situação desconfortável da prancha que batia muito, mesmo sem ainda ter pegado a onda. 

Parecia um verdadeiro touro mecânico! Isso me intrigou a imaginar como a minha prancha reagiria na hora de soltar a corda e descer a onda, que é quando a velocidade triplica pela energia da onda.

A maior dificuldade neste tipo de surf é administrar a velocidade em meio a tantos bumps, que são degraus que se formam em pequenas ondinhas dentro da onda surfada.

Estava muito difícil, mas devido a minha confiança no Eric e ao meu amor pelas ondas gigantes, entramos na frente de uma muralha de água e mesmo naquela pingaria descontrolada eu soltei a corda.

O mais interessante foi perceber que conforme avançávamos e a massa da água ia entrando na bancada, a onda alisava e nos mostrava a sua verdadeira face.

De qualquer forma, o fato de eu estar pingando numa velocidade descomunal jamais sentida anteriormente, desencadeou uma descarga de adrenalina tão grande em meu sistema nervoso, que fisicamente, minha única sensação era de que meu estômago estava sendo retorcido. Contudo, depois desta primeira experiência, eu estava completamente alucinado.

No surf de ondas como estas, a melhor estratégia é não cair. Sair por cima antes delas fecharem no inside é sempre a melhor opção. Segui este protocolo à risca e o Eric me resgatava cirurgicamente sem erro. 

Graças ao Eric com sua pilotagem impecável, eu pude sair do mar completamente agradecido e extasiado por ter vivido este dia e ter surfado 3 ondas…

Quando acabou o dia, num momento de lucidez, olhando para o céu, eu agradeci a Deus por tudo ter acabado bem. Percebi que deveria haver um bom propósito por eu não estar com nenhum parceiro naquele dia, principalmente devido aquele jet ski não ser o indicado como o equipamento adequado em dias como estes, e caso o Vitor estivesse lá, não sei como isso teria acontecido…

De qualquer forma, eu agradeço muito a esse jet ski que foi útil como um jet de apoio, me proporcionou participar da equipe e presenciar este dia histórico. 

Foi ele que me despertou o interesse em montar uma estrutura em PORTUGAL 

Hoje entendo perfeitamente que a visão do Garrett Mcnamara era de muito respeito à Nazaré e que todos os seus planos de segurança são de imensa valia para que a galera do big surf possa desempenhar seu trabalhos na maior segurança possível.

Garrett Mcnamara e Rodrigo Koxa – Nazaré 2013

Tiro o chapéu para esse cara visionário que descobriu o potencial de NAZARÉ para surfar as maiores ondas do mundo. 

Só pude entender mesmo do que se tratava quando conferi de perto… 

Todo meu RESPEITO!!!!

Outro acontecimento especial nesta viagem foi conhecer o Português Serginho. 

Ele foi designado pela dupla Ramon e Antônio a me buscar no aeroporto e logo no momento em que nos cumprimentamos, já nos tornamos verdadeiros e grandes amigos.

Sergio Cosme e Rodrigo Koxa em Nazaré

Este Português me contagiava com sua vontade de ajudar e fazer parte da equipe.

 Ele está sempre pronto e solicito para o que for preciso. Com seus ouvidos atentos, absorvendo tudo, dizia: “vou aprender para ir com vcs”!!!

E aprendeu mesmo!!! Hoje é ele quem gerencia a nossa equipe!!

NOIXXX SERGINHO SANGUE BOM!!!

Obrigado PORTUGAL! Obrigado Nazaré!

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